Começou um dia de manhã triste, em função da perda de uma pessoa. A pessoa que quase todos os dias marcava presença quando o dia raiava, fosse porque estava a limpar janelas, o chão, a cortar relva, a tratar dos lixos do condomínio, a mexer nas plantas, de volta das ferramentas, e que sempre me dizia alegremente, "bonjour, bonjour".
A primeira tarefa foi por isso, a de restar homenagem ao Yves, uma experiência que sempre me afecta é a de ir ao um velório. Este, ao contrário dos velórios que vi até aqui, e também porque fui pela manhã, e quem sabe porque estamos em confinamento, tinha apenas a viúva e as filhas. Ao entrar não consegui sequer aproximar-me do corpo que repousava na urna de pinho, despojada de qualquer adorno. No leitor de cd, passava o ídolo do Yves, o Johnny Halliday. Quando ganhei coragem fui olha-lo. Era um rosto sereno, de defunto, pálido, contrastando com a imagem que dele guardo em vida, de faces ruborizadas. Quando estava de saída, escrevi uma pequena dedicatória na tampa do caixão, que irá arder na próxima terça-feira, e ao despedir-me das filhas recebi o convite mais insólito em toda a minha vida de musico: o de cantar o tema "tombe la neige", na ocasião em serão depositadas as cinzas do Yves, no cemitério de Audun. Aceitei com honra e emoção. Veremos se me aguento a cantar a canção do inicio ao fim, e se não desabo num choro.
Depois destes momentos de muita emoção, regressei a casa para iniciar o trajecto de bicicleta, e confirmei o bom estado em ficou o meu carro. Creio ter o assunto da mecânica resolvido.
A mente e o corpo agradeceram os 12 Km ao pedal, com um sol maravilhoso.
O almoço foi na varanda, com a constante lembrança do meu vizinho, que por baixo, no seu quintal, me dizia sempre que os meus comeres cheiravam sempre bem. Agora, é o silêncio.
Na parte de tarde, retornei ao estúdio, gravando alguns temas mas apenas em acústico, para que o som não fosse alto.
Para preservar o gosto pela fotografia, fiz umas quantas fotos de plano grande às minhas ervas aromáticas.
Para preservar o gosto pela fotografia, fiz umas quantas fotos de plano grande às minhas ervas aromáticas.
Das noticias polémicas na minha terra, as novidades são as das bocas "Quaresma-André Ventura", e "Festa do Avante". Uma vergonha. Duas, aliás.
Ao serão comecei a ver uma versão do "Crime do Padre Amaro", passado na época actual, no México. Estou a gostar.
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