quinta-feira, 30 de abril de 2020

dia 46, quinta-feira, 30 de Abril


Com a reposição do clima mais típico daqui, o dia começou dito normal, de chuva, muito nublado, e com vento. Consultando a página do restaurante de Portugal vejo que estamos a fazer um bom trabalho, pois há encomendas, perguntas sobre pratos e preços, e uma publicação feita 14 horas antes já tinha quase 2000 visualizações.
Teimosamente iniciei o exercício matinal com chuva, e com chuva tive do o acabar ao fim de um quarto de hora, com vento forte e dez graus no termómetro. Larguei a bicicleta e montei-me no carro, e rolei mais uns Km na vila.
Ao retornar ao computador li duas boas noticias: a de que o meu patrão pode concorrer a um apoio financeiro a fundo perdido, e a de que se prevê a abertura dos restaurantes e hotéis para a segunda quinzena de Maio.
E a meio da manhã o tempo melhorou um pouco, mas não me atrevi. O tempo aqui muda de repente, e enquanto eu me despisse, virava outra vez.
Depois de almoço foi a habitual descida ao estúdio de onde extrai mais dois temas, um, o "Breathe" dos Pink Floyd que já rende uns likes. Existe pessoal que liga aos likes como se fossem notas de 50€, eu apenas gosto que vejam o meu trabalho. Gostar é uma opção.
O resto da tarde foi sonsa, mas com o inicio da preparação para começar a dar um apoio ao meu filho no que diz respeito ao fluxo de e-mails, e penso que vou conseguir libertar-lhe tempo, que é coisa que não me falta.
Depois das publicações dos restaurantes, bebi um dos melhores vinhos tintos dos últimos tempos, um tinto Bordeaux Superior com 14,5 graus.
As noticias de desconfinamento de Portugal vão chegando, bem como as da França. Contudo, no que toca à França, a zona onde me encontro continua inalterável, dado o numero de casos.
O filme da noite foi uma porcaria. *

quarta-feira, 29 de abril de 2020

dia 45, quarta-feira, 29 de Abril


Começa o dia com céu em tom de bronze carregado, e algum vento, mas aparentemente sem ameaçar chuva, e por isso me equipei a rigor para tentar fazer o mínimo de 12 Km, mas que tive de reduzir para 10, porque efectivamente começou a chover. Como tenho de limitar a volta com uma distância máxima, não estava muito longe de casa. E pela cara do tempo adivinhava-se que o dia iria ser assim até ao final. O resto da manhã fez-se a tratar de melhorar a imagem do restaurante do Pinhal de Frades, no Facebook.
Depois do almoço, houve a habitual descida ao estúdio e fiz mais uma boa meia dúzia de gravações que continuam e ter boa receptividade. Estou a gravar e publicar realmente musicas que me dizem algo, e falo delas sem me importar se quem vê a publicação gosta ou não. O que publico tem de ser uma extensão de mim, e não ser algo para agradar a terceiros. Escolhi para publicar, os temas "Emoções" e "Como dizia o poeta".
O restante da tarde foi passado em mais uma contribuição na divulgação on line dos restaurantes, e no caso do de Portugal tem tido sucesso, o que me deixa orgulhoso. Fazer o bem, sabe bem.
Com uma trégua da chuva consegui grelhar na varanda, para depois me dedicar ao filme "Panama Papers", com a minha actriz preferida, a Meryl Streep. ****


terça-feira, 28 de abril de 2020

dia 44, terça-feira, 28 de Abril

E ao dia 44, o tempo voltou ao normal. Com excepção de que a chuva me lavou o carro, é com muita pena minha que acordei com chuva  lá fora, e por isso mudei os habituais planos diários, não deixando de sair. Decidi ir fazer mais umas compras ao Lidl, devidamente apetrechado do documento de saída, máscara e luvas. A policia estava a fazer controle como habitual e vi alguns carros a fazerem meia volta de retorno. No interior do supermercado, o clima é de conformação e obediência pelas novas regras, estando quase todos protegidos, e mantendo as distâncias. Excepções: os velhos e os portugueses. Os primeiros mexem em tudo e depois deixam ficar, sem comprar e os segundos, andam tristemente sem protecção. São factos.
O depois de almoço foi de estúdio, com particular destaque para o tema "Canção do Mar" que publiquei e já teve alguns elogios, mais uma sessão de bicicleta em casa, pois a chuva manteve-se, e a escolha de mais um filme, baseado num livro, com a particularidade de ser holandês, e a acção decorrer em Amesterdão, no século XIX, "Uma nobre intenção". ***

dia 43, segunda-feira, 27 de Abril

Renovada a confirmação de mais um dia de sol, preparei a documentação para ir ao escritório, e sem haver policia no caminho, entrei como habitualmente no Luxemburgo, que mantém um escasso movimento de carros. Ao chegar ao restaurante, venho que o patrão seguiu o meu conselho de chamar o pessoal, para lhes dar alguma ocupação, e ir fazendo algumas arrumações, e assim dar uma sensação mesmo que curta, de que o confinamento está a desanuviar. Foi bom rever o pessoal, e muito melhor foi, beber um café de máquina, um "bica". Depois de descer ao escritório, encontrei o caos já esperado, que é o de ver a secretária do patrão com documentos de toda a espécie espalhados, e começo por separar os que já foram "tratados", ou seja, que já registei, dos que ainda não passaram por mim. A principio isto fazia-me confusão, e irritava-me até um pouco. No presente, seja por hábito, seja porque deixou de haver o factor surpresa, até estranho se houver arrumação, que é como quem diz - o patrão não tem vindo ao escritório. Depois dele chegar tratou-se dos assuntos do dia, conversou-se um pouco. Apesar de toda esta situação, ele mantém a vontade de abrir o terceiro restaurante, o que prenuncia que irei ter mais trabalho, mas também o contrato de trabalho melhorado e mais bem remunerado. Bem preciso.
O almoço foi na varanda, ao que se seguiu uma tarde atípica em período de confinamento. Assumi por gosto a responsabilidade de dar uma ajuda nos flyers do restaurante onde costumava almoçar no Pinhal de Frades, que iniciou o serviço de take away. Pintei os estrados da varanda, e no final da tarde apareceram duas noticias não muito boas: o carro precisa de mudar filtros e oleo, e serão mais uns euros gastos. De qualquer modo penso que o actual vencimento que disponho me permite que ainda sobre algum dinheiro, depois de pagos os encargos e despesas mensais. A outra noticia, foi a da morte do irmão de um colega de escola, com apenas 53 anos. Como dizia a minha avó: não somos nada.
Depois de um jantar de bacalhau no forno, mais um filme sobre um caso verídico, desta vez relatando o caso de uma mulher que criou uma espécie de fundação ateia, muito arrogante e provocadora. Em alguns momentos fez-me lembrar a minha mãe. "A mulher mais odiada" **


domingo, 26 de abril de 2020

dia 42, domingo, 26 de Abril


Dia 42, e talvez o dia 40 de sol, repito por isso, com céu azul e 15 graus. Depois do rol de noticias no rescaldo do dia da revolução dos cravos, que ainda correm pelos noticiários e pela rede social, preparo a volta da praxe que se ficou em mais cerca de 15 Km, e com a visão inédita de um dos patos do rio, a passear me plena via rápida, a que vem do Luxemburgo a Audun. A par deste insólito, noto pela primeira vez a presença de pombos que se atrevem e debicar nos quintais, e fazem voos rasantes, o que me leva a pensar se são meras coincidências ou realmente os animais estão mais atrevidos.
No restante, é o quadro habitual, de tudo fechado, exceptuando as duas padarias. Cruzo-me com pessoas que já vou conhecendo e que também me vão conhecendo. No que diz respeito ao pão, que aqui se consome muito na versão bagette, faz-me confusão que os franceses continuem a transportar as bagettes com aqueles sacos à meia canela, que expõe perto de um terço do pão ao ar. E se dizem que o vírus anda no ar...
Almoço de grelhados e filme na matinée, que nem foi nada de especial, por isso nem vale a pena menciona-lo. Mesmo que os domingos se confundam com os restantes dias da semana, no que toca ao lazer, existe sempre uma tendência para arranjar uma desculpa para mais "descanso".
As noticias falam em desanuviamento, e estou apreensivo em como vai ser, e como vão as autoridades agir. Vai ser muito difícil convencer o pessoal de que tudo mudou, tal como será quase impossível não colocar a economia a andar, sob pena de uma asfixia geral, que serà como uma espécie de novo vírus.


sábado, 25 de abril de 2020

dia 41, sábado, 25 de Abril

Por muitos acontecimentos que houvessem neste dia, ele estaria sempre associado incontornavelmente à lembrança de um longínquo dia 25 de 1974, em que sem perceber muito bem o que se estava a passar, recebo, no Casal do Marco, um telefonema do meu pai, que estando em Lisboa, e certamente amedrontado, a dizer-me, não venhas a Lisboa, e diz à tua mãe para não vir também. Eu respondo que não tinha intenção de ir, mas que a minha mãe lá estava. Era a revolução.
Hoje pouco me diz a data, pois foi apoderada pela classe politica, e a malta celebra hoje, e amanhã guarda o cravo na gaveta, até ao ano que vem.
Foi um repetido amanhecer com mais sol, mais azul no céu, nenhuma nuvem, e um ventinho teimoso. Antes da bicicleta rolei um pouco com o carro que se mantém preguiçoso em pegar. Depois de o estacionar, mudei de documento de autorização e fiz quase 15 Km, observando cada vez mais trânsito, que indicia uma falta de paciência das pessoas e uma resistência às ordens de confinamento.
Fiz um almoço agradável com miolo de camarão e óleo de coco, entre outros condimentos, enquanto escutei as banalidade institucionais na AR. *
A tarde foi de moleza, e lazer com filme. Vi mais um baseado em factos reais "A história verdadeira" **.
O rescaldo das noticias do meu país, e as publicações sobre o 25 de Abril no Facebook, preencheram o resto da tarde.
Para o jantar houve grelhados na varanda e cantei duas canções para os vizinhos, que aplaudiram: Yesterday e O sole mio.
O filme da noite foi da secção dos que se baseiam em livros, "Nós, ao anoitecer" com a Jane Fonda e o Robert Redford. **

sexta-feira, 24 de abril de 2020

dia 40, sexta-feira, 24 de Abril


Gosto sempre de números redondos. São metas, quando relacionadas com bons acontecimentos. Claro que não gostava quando recebia um cheque devolvido de cliente com numero redondo, ou qualquer noticia numérica desagradável. Este foi o dia 40, quase a completar um mês e meio desta vida, que é uma vida adiada.
Para continuar a senda de continuidade, o dia repete-se azul, e com perto de vinte graus, que deram para voltas dispares à volta de Audun, com novos locais e quase 14 Km de passeio. A noticia menos boa chegou antes de almoço: as velas do carro afinal são 163€, e lá  se vai a poupança. Se tem que se, que seja. Apenas espero que o meu vizinho acerte no diagnostico, e o assunto fique resolvido.
Almoço feito, e descida ao estúdio para uma sessão de acústicos, com a Ibanez, e as suas cordas de nylon que transmitem um som mais suave e facilitam os dedilhados. Dediquei o ensaio e as gravações a fados e canções apenas em língua portuguesa. Publiquei um fado do Carlos do Carmo, "Loucura", e um fado de Coimbra, "do Choupal até à Lapa", celebrizado pelo Zeca Afonso. Parece-me bem, para o momento que Portugal atravessa, o 25 de Abril. Celebrar singelamente, sem as merdices partidárias.
As noticias agora vão ter, na minha opinião, vertentes perigosas, na acção, e na interpretação, pois uns vão desconfinar, outros vão manter as restrições, e tudo isto sem sincronismo e com os números de mortos e infectados numa constante roleta que tem tudo menos de estável.
Depois de uma tentativa falhada de afinar os travões da bicicleta, jantei cedo uma espécie de pizza à moda da Alsácia, o "Flammkuchen" com mais um tinto francês bastante encorpado, de 13,5 graus, e mais um filme. Desta vez fugi aos "verídicos", e vi uma versão que desconhecia, do "Dracula". **

quinta-feira, 23 de abril de 2020

dia 39, quinta-feira, 23 de Abril


Outra base de resiliência que a vida me ensinou, lembrei-me, aconteceu quando eu tinha onze anos, e fiz a minha primeira operação às pernas, que me atirou para um confinamento de quase três meses. E mais uma vez penso que todas as situações que atravessamos no nosso percurso de vida, contribuem, como dizia a minha avó, para bagagem para o futuro.
Assim sendo, foi com o mesmo ânimo que acordei no dia 39, com o sol do costume, e como de costume sair para a habitual volta matinal, que começou com uma ida ao Aldi, para compras para o almoço, e após, iniciar a tradicional pedalada, que foi alterada subitamente, quando o patrão me liga, a pedir-me para ir a Esch tratar de um assunto de trabalho.
Pelo que tive de vir a casa largar as compras, destruir o documento de saída para compras, e substituir o documento de saída para exercício, pelo documento de saída a trabalho. Haja paciência para tanta burocracia.
De qualquer forma ir a Esch, com ou sem trabalho, dá-me sempre prazer, e com as voltas que tive de dar sempre fiz mais 9 Km.
No regresso, caminho livre, nada de policia que parece ter desmobilizado a fiscalização.
Depois do almoço, mais umas gravações no estúdio, em volta de temas dos Beatles e dos Pink Floyd, que me deixaram cansado da garganta, mas que me deu muito gozo.
Ao fim da tarde combinei com o meu vizinho português que é mecânico ver se ele descobria o motivo de o meu carro estar a pegar mal a frio, e o veredicto foi: velas, que me vão custar 60 paus, mas tem de ser, lá se vão parte das poupanças do ordenado de Março...
O jantar foi regado com um dos melhores vinhos que tenho bebido nos últimos tempos.
O filme escolhido foi mais um da secção dedicada a casos verídicos, " Profissão de risco", com Johnny Depp e Penelope Cruz. ***
Aproxima-se o dia 40, e aproxima-se o dia 25 de Abril com a polémica sessão na AR.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

dia 38, quarta-feira, 22 de Abril

Repetem-se inúmeras coisas numa situação como aquela que se vive nos presentes dias, e uma delas é mais uma vez o dia amanhecer azul, sem nuvens, embora o vento continue forte, vindo de norte.
Na saída de bicicleta noto mais gente, nas ruas, mais carros nas estradas, um ou outro comércio a reabrir. Até a garagem Renault estava hoje de portas abertas. Feitos os 11 Km, explorei um novo caminho aqui bem perto, por onde passa o rio Alzette. Assim vou desvendando esta localidade, aos poucos.
Antes de almoço ainda fiz novo documento de saída e fui ao Luxemburgo, ao supermercado de produtos Bio, e curiosamente, em Esch, vêm-se menos pessoas do que em Audun, e claro, tudo de máscara. Pequenas, mas importantes diferenças entre um povo obediente, e outro com toque latino.
No começo da tarde levei a Gibson para o estúdio e gravei uns rocks, um dos quais dediquei ao meu amigo, João, também guitarrista, que está em Portugal, o "walking by myself" do Gary Moore. A publicação teve boa aceitação. Já vou com 40 temas publicados, um pouco à balda, pois não tenho paciência para perfeccionismos nisto de publicar-nos no facebook. No meu entender o que interessa é marcar presença e actividade.
Ao fim de tarde, um pouco de leitura na varanda, e terminei o filme "Dois Papas", e agora entendi o motivo da renuncia do Papa Ratzinger. ****
Com o bom tempo a continuar, ao jantar houve grelhados na varanda, e ao serão terminei de ver o filme "o rapaz que prendeu o vento". Imperdível. *****

terça-feira, 21 de abril de 2020

dia 37, terça-feira, 21 de Abril


Mais um dia de sol, mas de vento forte vindo de norte, com cerca de 14 graus. O compromisso com o patrão ficou marcado para as 10:30h, e ele até chegou quase a horas. Passamos o tempo entre expediente e desabafos. De um modo natural, somos amigos, embora ambos saibamos que existe uma barreira que precisamos respeitar, a de patrão-empregado, mas como ele já esteve na ocupação de empregado e eu na função de patrão, temos uma boa plataforma de entendimento.
Depois das tarefas de escritório e de rua em Esch, regresso à França, desta vez sem controle policial.
Começo por planear a tarde, que dediquei à fotografia, uma das minhas ocupações de lazer preferidas desde sempre, e reabilitada em 2011, quando comprei a minha primeira Nikon. Na realidade desde que em Portugal comecei a sentir a crise financeira, logo no inicio do século XXI, que por não fazer falta na loja, me acostumei a ocupar os tempos livres com actividades que sempre gostei desde criança: musica, bicicleta, fotografia, e juntando cães, leitura, BD, poderei intitular-me de fiel às minhas preferências. E talvez porque já nessa época eu sabia ocupar os meus tempos livres em casa, não me esteja a ser difícil atravessar a presente fase, com a vantagem de estar a ser remunerado, pois naqueles tempos da loja, vendi tudo para fazer face aos compromissos da loja. 
Voltando à fotografia: foi dia de explorar uma nova zona residencial aqui perto, que me agradou bastante, e com uma vista panorâmica sobre a vila de Audun, que não sendo bonita, é a terra onde estou e me acostumei a estar.
O jantar foi uma espécie de feijoada de marisco, temperada com uma série de ervas aromáticas que vou conseguindo manter, e ficou muito saborosa.
Comecei a ver dois  filmes "o rapaz que prendeu o vento" e "Dois Papas". Vi cerca de um terço de cada um.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

dia 36, segunda-feira, 20 da Abril


O primeiro dia depois da pandemia em que no Luxemburgo permitem a circulação de pessoas, com alguma contenção, mas obrigam ao uso da máscara. E em termos clima, o mesmo sol e uma pontada de vento, mas com temperatura amena.
Preparo dois documentos de circulação para a manhã, um para justificar que vou trabalhar, e outro para quando chegar do trabalho e ir ao supermercado. Sigo de bicicleta para o trabalho, sem policia à vista, e nem no Luxemburgo avistei qualquer agente ou viatura. Ao tentar colocar o meu veiculo de duas rodas na escada de acesso de mercadorias do restaurante, tive um pequeno percalço com uns tijolos que me valeu uma dor de rins. Mas passou. Ficou o susto. No escritório, foi o habitual que costumo fazer organizando e classificando papelada, e esperar pelo patrão, que acabou por não vir, e marcou reunião para o dia seguinte.
De regresso à França, a policia estava no controle, e como já me vou habituando, mostrei os documentos necessários à senhora da autoridade, que me mandou seguir. Reparei a caminho de casa que não havia fila no Carrefour, pelo que arrumei a bicicleta, peguei na chave do carro e no documento próprio para compras de primeira necessidade e tornei a sair.
Já em casa, vejo na tv mais uma noticia sobre ciganos que invadiram um quartel de bombeiros, o que reforça a minha convicção de que existe uma cobardia aliada à hipocrisia, tolerância, e falta de conhecimento no terreno, do modus operandi generalizado da comunidade cigana. Sinto-me qualificado para opinar, pois tenho uma vasta experiência, que vai desde boas amizades, a sofrer roubos e assaltos.
A tarde foi dedicada em grande parte ao estúdio, e como já consigo tornar o som menos medíocre, vou fazendo mais gravações que depois vou publicando, e já vou a caminho das 40 publicações.
Publiquei também a foto acima, aludindo à obrigação do uso de máscara, e usei um pouco de humor, o post teve muito sucesso.
Os quilómetros de bicicleta não se fizeram e decidi-me pelo cinema.
Ao serão vi mais um filme baseado em caso verídico "Sérgio", que relata o fim trágico do brasileiro Sérgio, funcionário da ONU, que morre num atentado, no Iraque. Subentende-se no filme, que são os próprios americanos que encomendaram o serviço. ****

domingo, 19 de abril de 2020

dia 35, domingo, 19 de Abril

Se a balança estiver certa, já ganhei o dia, pois embora não note diferença substancial, desde que estou confinado, baixei entre dois a três quilos no meu peso, o que me encoraja a não largar a bicicleta quando se voltar à "normalidade", mesmo que tenha de ser em casa. Tenho de disciplinar-me nesse sentido.
A consequência da trovoada no dia anterior, fez com que o tempo arrefecesse, e com que o céu estivesse nublado num tom cinza azulado. Gosto deste tipo de fresco, e para pedalar é excelente, por isso hoje a volta andou perto dos 15 Km, com uma ligeira variação de trajecto na estrada que leva à vila próxima, Villerupt.
Antes de sair não deixei escutar noticias de algumas recaídas com o Covid, o que prova que algumas medidas têm de continuar. Daqui para a frente será uma luta entre a contenção, a de restringir a normalidade, e a da necessidade, de retomar a economia.
Ao almoço atrevi-me a fazer pela primeira vez um Bacalhau à Brás, e sem modéstia posso afirmar que estava muito, mas muito bom, e apetitoso até demais. O único senão foi o de ter colocado azeite em excesso que foi absorvido pelo bacalhau e pelas batatas, o que provocou o normal constrangimento na digestão, que por sua vez provocou uma soneira que deu numa valente sesta, interrompida pela mensagem da minha filha, com a imagem acima.
Valeu a pena ser acordado desta forma.
Depois assisti a um horrível filme passado na época Nazi, do qual nem me dei ao trabalho de registar o nome.
A polémica das celebrações do 25 de Abril na AR, continua acesa. Falta menos de uma semana.

sábado, 18 de abril de 2020

Dia 34, sábado, 18 de Abril






O trigésimo quarto dia acordou meio fresco e nublado, mas mantendo o constante clima ameno da era pandemica. E por isso as rotinas matinais mantiveram-se como habitual, como habitual tem sido a observação ao quotidiano da vila de Audun. A única diferença da manhã foi a de ter saído com o carro para o desenferrujar. O restante andou em volta do que repetidamente tenho possibilidade de fazer, e que me continua a dar bastante prazer.
Mas após o almoço decidi fazer uma alteração às rotinas, e decidi mandriar, não por ser sábado, mas para quebrar um pouco o segmento dos dias iguais. E foi uma boa escolha: uma tarde cinema. E que filme. Dos melhores que tenho visto ultimamente, baseado na vida de Stephen Hawking, com uma interpretação fantástica do actor que faz o papel principal, e da actriz que faz o papel da mulher dele. Um filme *****
Entretanto vou seguindo com curiosidade ao desenvolvimento das noticias sobre as celebrações do 25 de Abril na AR, que decerto serão alvo de muita polémica. E estou convencido que isto vai ser como nos jogos da bola: se a equipa ganha, o treinador é o maior, e se perde, é um FDP. Assim será com as comemorações. Se o numero de mortes pelo Covid 19 aumentar... vão dizer que o Estado deu um mau exemplo.
Para o jantar, preparei grelhados, na varanda, com umas inocentes nuvens a oeste, mas as nuvens de oeste fecharam o céu e de branco passaram a cinzento, e houveram relâmpagos, trovoada, e chuva, e os grelhados tiveram de se fazer debaixo do toldo. Mas fizeram-se.
A chuva voltou.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

dia 33, sexta-feira, 17 de Abril

As primeiras noticias do dia são de algum desaperto das regras de confinamento no Luxemburgo, que tenta progressivamente voltar ao normal possível já a partir de segunda-feira, dia 20 de Abril, com a obrigatoriedade de que em publico toda a gente tem de usar máscara ou qualquer outra peça competente para cobrir o nariz e a boca. Quem o não fizer arrisca-se a uma multa mínima de 139,00€.
Na rua constato de novo o sol, tempo seco, e cerca de 20 graus, que permitem mais uma boa volta de manutenção, com o final do costume, a (tentar) ver os patos. Porque no ultimo mês nada choveu, o caudal do rio Alzette apresenta-se agora mais baixo.
O almoço foi um agradável piquenique com umas saladas em jeito de roupa velha, e um rosé fresco.
No estúdio, com hora marcada com os vizinhos, toquei e cantei uma série de temas do Júlio Iglesias, a pedido da minha vizinha francesa, que tem um irmão a trabalhar na Galiza, segundo me disse ambos são adeptos fervorosos do Júlio. Gravei a canção "Bella Ciao", um hino da resistência italiana, dedicado ao pessoal do Restaurante Taberna do Sousa, onde vivi no passado muito bons momentos. O pessoal gostou, a julgar pelos "likes".
De Portugal chega a noticia da morte de um actor de quem admirava a carreira, principalmente no desempenho no papel do principal personagem, da série "Equador".
Chegou também a noticia absurda sobre a possível cerimonia na AR, no dia 25 de Abril, que a acontecer irá concentrar cerca de 300 pessoas. Cada vez me convenço mais que Nisto das medidas de confinamento e normas de procedimento, Portugal não é exemplo para ninguém, apenas tivemos sorte, e neste caso, a sorte não protegeu os audazes mas sim os inconscientes.
Depois de um jantar de grelhados, assisti ao filme "Duas Irmãs, um Rei". ****






quinta-feira, 16 de abril de 2020

dia 32, quinta-feira, 16 de Abril


Na verdade, embora esteja preocupado com o meu futuro e dos que me são próximos, depois de ter levado anos a lutar contra uma série de dificuldades concentradas em mim, no meu negocio, na minha família, fiquei como que vacinado contra a ansiedade e incerteza de futuro, sendo lógico que existiam e existem planos de futuro, tudo agora me parece menos dramático, ou melhor, é um problema repartido por todos, enquanto que antes, era só meu. Outra curiosidade que não deixa de ter graça é o facto de que em toda a minha vida adulta, embora tivesse feito férias e viajado imenso, nunca foi por mais de uma semana, e nunca conseguia desligar da loja e dos seus compromissos.
Actualmente, estou há um mês em suposto descanso, com as preocupações emergentes, mas ao mesmo tempo a saborear secretamente, estas férias forçadas.
E assim saborosamente retomei a rotina diária com um reforço de 14 Km, feitos a 16 graus, no agora habitual céu azul, e com a paragem obrigatória no cantinho da reflexão, o local onde termino o meu passeio-treino, escuto a passarada, e o correr do rio e com sorte avisto os patos residentes.
O almoço foi leve, na varanda, com camarão, salmão, e queijo, regado a rosé.
Não resisti a passar pelas brasas antes de descer ao estúdio e fazer mais umas gravações, em acústico, com a Fender, e depois uns Rocks com a Godin. Dos acústicos publiquei o Yesterday que valeu um valente elogio do guitarrista dos Gift, que me encheu de orgulho.
O passeio da tarde foi mais curto e de observação aos patos, que me presentearam com uma saída em família, deambulando pelo rio, o casal e mais uma meia dúzia de patinhos, ainda os tentei filmar mas não ficou nada de jeito. Na próxima visita irei levar a Nikon, com o zoom  e esperar pacientemente uma nova aparição.
O jantar foi um belo frango no forno, com um tinto Côtes du Rhone, com a paisagem que se vê na foto, para depois terminar filme com a Julia Roberts ao serão. Caso raríssimo, gostei mais do filme, do que do livro, pela qualidade da fotografia.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

dia 31, quarta-feira, 15 de Abril

Por mais acontecimentos que existam no dia 15 de Abril, será sempre o ponto alto, a celebração intima do aniversário dos meus avós. Aqueles a quem muito devo, no processo de construção da pessoa que sou. Por isso lhes presto sempre a minha homenagem. Dizem que as pessoas só morrem verdadeiramente quando deixam de ser lembradas.
O dia abriu como habitualmente, com sol, mas frio. Quando fui pedalar estavam 10 graus, e um vento constante vindo de norte. Aumentei o raio de acção dos meus trajectos, bem como aumentei a distância percorrida, que deixou de ser o factor mais importante, mas sim o aproveitamento do tempo disponível. Agora tenho consumido 45 minutos ao pedal, o que me aumenta a resistência física e mental. Quando chego a casa venho com outro ânimo.
O inicio da tarde começou bem, com a confirmação de entrada, do meu vencimento de Março. Agora é pagar de imediato os encargos fixos e gerir o restante de forma a que sobre alguma coisa.
Desci ao estúdio e gravei o "fim do mês" dos Xutos. Não saiu mal e consegui uma nova equalização na voz, que destaca um pouco mais os agudos naquele cubículo.
A volta de bicicleta foi trocada pela bicicleta estática, mas cumpri os objectivos diários, ao todo foram quase 18 Km neste dia.
Antes do jantar, acabei o filme "Noé". E apôs, comecei a ver outro, baseado num livro que li hà uns dois anos "Comer Orar Amar" com a Julia Roberts. O filme está a parecer-me tão sem sal como o livro. Estão bem um para o outro.
Entretanto estão a chegar algumas noticias encorajadoras sobre algum desanuviamento do confinamento no Luxemburgo, com a obrigatoriedade de andar de máscara. Mas já é uma esperança.


segunda-feira, 13 de abril de 2020

dia 30, terça-feira, 14 de Abril

Um encontro com o meu patrão no escritório pode modificar todos os meus planos, e por mais preparado que eu tente estar, à mínima distracção sou eu mesmo vitima e culpado das instruções dadas à ultima hora. Não que actualmente isso constitua grande problema, mas embora eu goste de andar ao sabor das vontades, tento sempre planear tanto quanto possível os meus passos.
Hoje, como previamente decidido fui dar mais uma arrumação na papelada dos restaurantes. Decidi ir de carro porque a temperatura baixou muito. Pelas 10 horas estavam 5 graus. E também porque assim o carro circulou mais uns quilómetros, e aproveitaria para passar pelo Lidl, no regresso.
Eram esses os meus planos, mas tarefas e instruções em cima da hora mudaram os ditos planos, pois primeiro está o trabalho, que depois de findo, já depois de almoço, me permitiu então, tornar a sair, de luvas e máscara, agora sim ao supermercado. 
Ao estacionar apercebo-me de três pessoas a sair da mesma viatura, e cada um retirar um carrinho de compras, colocando-se na fila. Observo-os. As minhas suspeitas bateram certas, ao escutar as palavras que trocavam: eram portugueses, talvez um casal e a mãe de um deles, a combinarem o que cada um iria comprar. Já no interior da loja, cruzo-me com o rapaz que andou ali às voltas com dois ou três artigos no carro, a fazer tempo até se dirigir à caixa. Esta táctica é agora muito usada pelo Chico Esperto Tuga. E com isto impedem outros clientes de entrar na loja. Tristes.
Depois das compras, que incluíram um vaso  com manjericão, estive a compor o cantinho das ervas aromáticas. Agora, para além do manjericão, tenho hortelã, salsa, coentro, cebolinho e orégão.
Ao jantar fiz uma espécie de paella aldrabada, e comecei a assistir ao filme "Noé", com o Russel Crowe, um actor que gosto e um género de filme que também gosto. 

dia 29, segunda-feira, 13 de Abril

A estabilidade do bom tempo foi um pouco alterada pelo céu nublado e algum vento, a interromper o ciclo de dias soalheiros e amenos que por aqui tenho tido. A segunda-feira seguinte ao domingo de Páscoa, é nestes países, feriado, pelo que tudo está fechado, com excepção de uma única padaria que se mantém corajosamente em funcionamento, embora com pouca gente em espera. 
O passeio do dia 29 foi mais longo, em tempo, quilómetros e extensão, aproveitando as ruas desertas. Para além da sensação de estar na acção de um daqueles filmes do Apocalipse, parece que Audun-le-Tiche se recolheu toda para que eu pudesse pedalar à vontade, com todos os caminhos exclusivamente para mim.
No final dos 2 Km, deu ainda tempo para uma paragem para um pequeno banho de natureza no local habitual, aproveitando os 60 minutos na totalidade.
Depois do almoço, desci ao estúdio para tocar, soltar a voz, e fazer mais umas gravações, das quais vou publicar hoje o tema "Stand by Me". Com a presença acentuada do vento e do frio, cancelei a bicicleta e vi um desconcertante filme chamado "Fratura".
Na hora do jantar Macron, falou à França, e disse ao paìs, o que jà se esperava, mais confinamento até pelo menos 11 de Maio.
Ao serão comecei a ver um série que não me está a seduzir. Por vezes calha assim, também com livros e musicas. Pelo que não devemos perder tempo com eles, embora muitas vezes os leve até ao fim , como se fosse uma auto punição.

domingo, 12 de abril de 2020

dia 28, domingo, 12 de Abril


No primeiro domingo de Páscoa, em que à semelhança do que era tradição em Portugal, nada mais tinha de compromisso senão sentar-me à mesa e comer, o dia acordou meio nublado contrastando com a tendência das ultimas semanas. Admito que foi a custo que desci para a volta de bicicleta, pois apetecia-me mais ficar pelo sofá a assistir algum filme nesse harém que descobri no Netflix. Mas impus-me ao rigor da disciplina e consegui fazer cerca de 8 Km, que depois até souberam bem, pois o céu foi-se despindo de nuvens, nuns amenos 15 graus.
O almoço foi em volta do borrego, e um tinto Casa de Santar Reserva muito bem arejado prévia mente.
Como estava com o bichinho dos filmes, dediquei-me a ver de uma assentada uma série de 4 filmes de nome "Unorthodox", apenas com intervalo para petiscar na varanda um foie gras com torradas, regado a espumante da Alsácia.
Assim se passou um domingo, sem muita novidade, e tranquilo.

sábado, 11 de abril de 2020

Dia 27, sábado, 11 de Abril

A pandemia continua o pacto com o clima. Não me lembro de uma sucessão tão grande de dias seguidos de bom tempo, em Março e Abril, nem em Portugal.
Para cumprir o programa de manutenção física, fiz uns saborosos 11 Km, sem esforço, e alterando o que é possível alterar, no perímetro de mil metros.
Depois do exercício cumprido, dediquei-me  amais pinturas na varanda e à jardinagem. A varanda é um espaço magnifico que aproveito ao máximo quando as condições climatéricas, o permitem. De tal modo a aproveito, que já cheguei a grelhar com temperaturas negativas.
Com o CD de compositor clássica Grieg como banda sonora, a manhã foi bem conseguida, antecipando o que agora passa a acontecimento do dia: a ida ao escritório do restaurante, com a consequente burocracia de papeis (já são quatro) que carrego, pois trata-se de uma deslocação para outro país.
De caminho para Esch, à saída de Audun, mais uma vez fui controlado pela policia, e ficou-me a sensação de que o agente não acreditou que eu fosse ao Luxemburgo a trabalho. Porém, fui, e os documentos estavam em ordem. Chegado ao restaurante, foi com alegria que os que colegas presentes festejaram o reencontro. Não sendo o meu caso, que sempre gostei de estar em casa, e arranjo sempre o que fazer, com prazer, arrisco em afirmar que muito dos meus colegas sentem-se melhor do que confinados ao espaço onde residem. Passei as duas horas e meia seguintes a classificar, scanear, registar e arquivar documentos, e deixar o visível o tampo da secretaria do meu patrão, que entretanto chegara, e lá fomos conversando da crise. Deixei-lhe a sugestão de fazer refeições para fora aos fins de semana, neste restaurante. Vamos ver se ele avança com a ideia.
No regresso a França não havia controle policial, e dediquei-me a mais um pouco de jardinagem, até ao jantar, ao qual se seguiu mais uma sessão de cinema, desta vez com o filme que relata a tragédia do massacre ocorrido na Noruega, o "22 de Julho". ****

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Dia 26, sexta-feira, 10 de Abril


Que grande mistério este que nos tem dado um clima mediterrânico desde que surgiu a ordem de recolher, e já faz quase um mês.
Hoje é sexta-feira santa, o que me faz recuar no tempo e recordar que esta altura de celebração, foi para mim, desde que iniciei o negocio de electrodomésticos, uma quadra de sabor agri-doce, pois era pautada por dois sentimentos, o da alegria da festa familiar, e o da angustia da fraca facturação na loja, pois o mês de Abril sem foi por tradição fraco de vendas e piorava quando tinha a Páscoa pelo meio. Coincidiu chegar o tempo em que me libertei das amarras dos compromissos financeiros, com o de passar o Domingo de Páscoa a tocar para uma casa sempre cheia. Este será o ano de nova experiência.
O passeio repetiu-se com algumas precauções quando ao trajecto pois na província da Moselle, que faz fronteira com a Loraine, onde me encontro, é proibida a saída à rua para exercício entre os dias 9 e 13. Por isso convém acautelar. Não estou seguro que não exista tal restrição aqui também.
Com os hipermercados fechados, fiz o meu circuito nos parques de estacionamento vazios, entretendo-me a observar os desolados franceses que chegando de carro, olhavam tristemente para as portas fechadas, com a agravante de não terem motivo válido para ir ao Luxemburgo. 
Depois do almoço, desci ao estúdio, onde me dediquei a temas acústicos, e gravei "Pedra Filosofal", que publiquei e teve boa aceitação, e também "Cantigas do Maio". Depois da musica troquei o exercício ciclístico de rua pelo de casa, e ao fim da tarde, uma avanço no livro do Paulo Coelho, que vou lendo um pouco penosamente.
O filme da noite, baseado em casos verídicos, foi "Lost Girls". Estou convencido que sobre este tema, muita matéria existe por esse mundo fora. ***

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Dia 25, quinta-feira, 9 de Abril

O que antes era mera rotina, foi hoje um processo de mudança ao fim de quase um mês de confinamento, pois alterei radicalmente os hábitos das ultimas semanas. Desde os de higiene matinal, às saídas autorizadas. Havia o compromisso assumido com o meu patrão, para tratar da papelada do escritório. Depois de munido com o documento francês justificando a saída, e de mais dois documentos luxemburgueses, autenticados com carimbo, e a respectiva identificação, pego na bicicleta e rumo ao Luxemburgo, pelo único trajecto que posso fazer com este veiculo, e fiz bem em ter este cuidado, pois fui mandado parar no local onde a Policia Aduaneira costuma estar. Documentos mostrados, e segui viajem.
Esch está pouco movimentada como se pretende. Embrenho-me na papelada, que deixei ficar semi-organizada até à próxima incursão, que em principio será no sábado. Rever o patrão, e colegas de trabalho, nunca foi desagradável, mas agora é agora uma verdadeira alegria. 
A tarde foi multifacetada, e muito ocupada, começando com o estúdio, onde para além de algumas gravações, vou tocar aos poucos todas as musicas que tenho no repertório. Depois foram feitos mais sete Km, nos trajectos habituais, e cruzando-me três vezes com a policia. Após o passeio dediquei-me a pinturas de manutenção na varanda, e alguma jardinagem, e também à produção de um novo flyer para a loja.
O serão Netflix foi com o filme, "o Renascido" com o Leonardo DiCaprio. ***

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Dia 24, quarta-feira, 8 de Abril

Repete-se a rotina climática, de céu azul, e 16 graus a convidar ao passeio. Mas há que ter cuidado com a forma de saída, pois se andarmos simplesmente a passeio, e não, a fazer exercício, creio que nos cortarão esse privilegio, ainda ontem avistei um casal e dois filhos em descontraído passeio.
Fiz com relativa facilidade onze quilómetros, diversificando trajectos, e mais uma vez notei mais gente e mais carros do que na primeira semana, e as habituais filas em todos os comércios abertos.
No final do passeio, embrenhei-me pela mata situada por trás da minha casa, que para além do canto dos pássaros conta com alguns motivos interessantes para a prática da fotografia. Na próxima incursão vou levar a Nikon.
Acabo de escutar na SIC Noticias, que em Portugal já foram detidas mais de 1000 pessoas por desobediência, o decerto dá uma trabalheira às autoridades. Bastaria autua-las como fazem aqui.
Depois do almoço, deixei-te tentar por vinte minutos de sesta, para depois descer ao estúdio, gravar mais uns temas, dos quais publiquei "Another brick in the wall", que está a ter muita aceitação. Noto as consequências de não cantar aos fins de semana, como se estivesse enferrujado, pelo que tenho de praticar mais.
Depois do ensaio, peguei na Nikon e fui ao local onde estivera pela manhã, mas a luz estava forte demais para captar boas fotos. Tudo tem o seu momento certo. Fotografar não foge à regra.
Após a saída dediquei-me a pinturas e bricolage na varanda, e à estreia culinária da confederação do famoso frango à maricas, o frango com limão.
Ao serão, outra estreia resultante de poder usar o serviço Netflix que a minha filha subscreveu em Portugal, e consigo usar aqui. O filme escolhido foi o êxito do momento, "Milagre na Cela 7", uma produção turca, comovente, com alguns momentos de realização explorados um pouco em excesso, mas sem duvida uma bom filme.****



terça-feira, 7 de abril de 2020

Dia 23, terça-feira, 7 de Abril


Desde que atravessei o longo período de aperto financeiro, e no coração, que durou mais do que uma década, que ganhei uma capacidade que desconhecia em mim, a da resiliência, apesar do meu natural defeito de ser ansioso. Por isso, deduzo que parte da minha tranquilidade possível se deve a essa característica resultante do pedregulho que a vida me colocou no caminho. Saber o meu núcleo duro de afectos se encontra bem, chega-me. Saber que vou tendo tostões para ir comendo e pagando os encargos mensais, tranquiliza-me. O que me proporciona  uma gestão das rotinas diárias, que assumo, gosto, com prazer.
Uma das tarefas da terça-feira, é sair com o carro e aproveito para ir ao supermercado, escolhendo o Lidl, pois o Carrefour apresentava uma fila para cerca de meia hora. Na estrada que vai para Esch, a policia montou um dispositivo aparatoso de controle, e mandam parar todos os carros.
No interior da loja, o natural receio de aproximação entre as pessoas. Ninguém anda aos pares. Os carrinhos dos homens com poucas compras, e os das mulheres até ao cimo. A mulher à minha frente pagou 290 euros de compras.
Comprei entre outros artigos, um frango inteiro, para tentar fazer no forno, com limão.
Arrumadas a compras, faço o segundo papel de saída, e inicio o meu passeio de 11 Km, com 16 graus e céu azul, pelas ruas de Audun, passando pela rua principal, onde se encontram muitos edifícios anteriores à II Grande Guerra. Após pedalar, faço a habitual paragem no rio, que hoje tinha um pato, alheio ao vírus, alheio ao período de Pascoa. Por vezes assalta-nos aquele pensamento, de que os animais não têm preocupações. São apenas, felizes.
Depois de um leve almoço de salmão fumado, queijo e tomatinhos, quando começava a preparar-me para repetir as rotinas da tarde, toca o telefone, e do outro lado, estava o meu patrão, a dizer-me precisar de tratar de uns assuntos no escritório, pelos que tive de reunir a papelada necessária para entrar no Luxemburgo. Quando entrei no carro, o termómetro marcava 28 graus.
Uma sensação estranha a de regressar ao local de trabalho, quase duas semanas depois, como se fosse um clandestino.
Depois dos assuntos tratados, e de algumas trocas de impressões com o patrão, fiquei de regressar na próxima quinta feira, para organizar o caos em que estão os papeis no escritório e regresso a França, onde no mesmo local em que os avistara pela manhã, estava novamente a Policia Aduaneira. O caso continua sério, a França já conta com mais de 10.000 mortos.
Depois de uns grelhados na varanda, acabei o Bohemian. Mais uma lágrima marota retida. Estou um sentimental.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

dia 22, segunda-feira, 6 de Abril

Uma das noticias do dia é a de que  vão haver temperaturas a rondar os 20 graus, o que vai colocar à prova a disciplina de muita gente, pois a tentação de sair, vai ser maior. Pela minha parte, mantenho os meus hábitos que moldei face a este período que atravessamos. Foi o que aconteceu nesta manhã, com mais um reforço na distância percorrida, que hoje foi de 11 quilómetros em circuitos diversos, agora que alarguei o perímetro do passeio. Existe mais trânsito, mas as filas diminuíram, e pela primeira vez, avistei dois carros das autoridades em simultâneo, o que é bom, para que o pessoal não se entusiasme com os convites da primavera. No regresso, houve a habitual paragem para o retiro espiritual, mas não haviam patos.
As noticias sobre os números da pandemia, que neste dia anunciam uma desaceleração em vários países europeus, contrastam com as que o meu filho me transmite de Portugal, relatando um fluxo de trânsito muito acima do normal, com veículos a transportarem mais do que uma pessoa. Receio que o Costa não tenha aplicado correctamente as medidas de restrição,  bastava-lhe copiar as daqui.
O período da tarde passou-se com uma boa sessão no estúdio entre algumas gravações, e tocar apenas por puro prazer. Tenho pena por não conseguir melhores resultados no audio que o telemóvel capta, mas mesmo assim a versão do tema do filme "o caçador" ficou razoável. Publiquei-o.
Depois de mais uns quilómetros na bicicleta estática, o clima ameno convidou-me a ficar um pouco na varanda, e a um pouco de leitura. O Aleph continua a despertar algum interesse, e por isso vou até ao fim do livro.
Ao serão, comecei a rever pela terceira vez o filme Bohemian Rhapsody. Mercury e Queen nunca são demais.

domingo, 5 de abril de 2020

Dia 21, domingo, 5 de Abril

Parece que o bom tempo não arreda pé destas bandas, e como se não fosse bom ir levando os dias sem chuva, a coisa melhorou com a subida de temperatura que já convida a andar com menos roupa.
Desde o dia 20 de pandemia, que decidi arriscar novo trajecto de bicicleta, agora pela rua principal, passando pelas duas igrejas de Audun. Na medida em que vou pedalando, tenho ganho mais resistência nas pernas, e o que por vezes era obrigação, tem-se tornado em momentos de total prazer, pelo que aliando o bom tempo, ao novo trajecto, e à maior capacidade física, vou aumentando as distâncias percorridas. Desde o dia zero que levo mais de 130 Km feitos na rua, uns 30, em casa. Pelas ruas são raras as pessoas. Só as duas padarias estão abertas, com pequenas filas. Os franceses não dispensam as suas baguettes. Já os cheguei a ver à chuva, ao frio, ao vento e até à neve, com uma simples baguette debaixo do braço.  Findo o passeio, ainda me sobrou tempo para visitar os patos que hoje me brindaram com um voo nas imediações do rio.
Foi dia também de inaugurar as refeições na varanda, com uma valente feijoada de marisco, acompanhado de um vulgar mas sempre agradável tinto Rosário, da Ermelinda de Freitas.
A tarde, passou-se sem bicicleta, com a tarefa de passar estes escritos de Word para Blogue, o que consumiu todo o tempo até à hora de jantar, que em vez de jantar, passou a petiscar, aproveitando o bom tempo que sugeriu comer novamente ao ar livre. Sem me dar conta das horas, começo a houver o som de aplausos, vindos tanto de Audun, como da povoação cuja fronteira fica nas minhas traseiras, Russange. No relógio davam as 20 horas. Era o povo francês a homenagear os heróis destes tempos.
Terminei o filme "Cinema Paraíso" . Fica sempre uma lágrima envergonhada por sair, quando vejo este filme.

Dia 20, sábado, 4 de Abril



Dia de sol, para fazer esquecer o anterior, e uns poderosos 11 graus. Desde que estou na "reserva" que tento contrariar aquela tentação de ficar só mais um bocadinho na cama, para não criar uma mau hábito, mas também porque sempre fui mais de apreciar uma boa sesta, do que ficar meia manhã deitado e depois verificar que dali a pouco tempo será hora de almoço. Acho um desperdício, mas haverá quem diga o mesmo em relação a fazer uma sesta, coisa que tenho evitado também. Quando o relógio marcava 9 e pouco já estava a pé, para iniciar as rotinas matinais, os quilómetros a ver os mesmos caminhos, as pessoas (algumas já as vou conhecendo) que me cumprimentam, mesmo que eu não o faça por distracção.
As filas nos locais que estão abertos, inclusivé no Point Vert que é um espaço que vende artigos para animais, plantas e tudo para jardinagem. Apesar dos dias serem todos iguais, a sensação que me dá é que as pessoas assumem o sábado como dia para ir às compras, o que até se compreende em parte pois ao domingo, ao contrário do Luxemburgo, na França fecha tudo.
Depois da volta, a paragem junto ao rio, onde vou aguardando que me chegue o som dos pássaros, o avistamento dos patos, e o cheiro da natureza envolvente. Tudo isto é cortado pelo ruído de um enorme Boeing 747, da Cargolux, que vai descendo para o aeroporto de Findel. Quase que regresso aos meus tempos de jovem, em que observar um avião era um acontecimento.
A tarde andou em torno das escritas, alinhamento de canções para ir gravando no estúdio, e também alguma leitura do "Aleph", que agora ma vai despertando algum interesse.
Jantar de grelhados, e com o filme "Cinema Paraíso".

Dia 19, sexta-feira, 3 de Abril



No décimo nono dia fez-se um dia cinzento, um dia sem sol, igual à esmagadora maioria dos dias que por aqui se fazem. Quase que me atrevia a dizer, que, enfim, algo mudou, já que as outras rotinas não podem mudar, quanto muito podemos fazer umas variações em torno das rotinas criadas, para preencher o dia. Para além da novidade da alteração climática, existiu uma outra que consistiu na minha oferta em fazer uns flyers para a loja onde comprei a minha guitarra APC, que estando fechada, passa agora por sérias dificuldades. Se os flyers forem divulgados pelas partilhas, talvez o negocio dinamize um pouco, mas creio ser difícil, pois os instrumentos musicais, não serão certamente compras prioritárias, embora faça todo o sentido, neste preciso momento, evoluir na prática de um instrumento, ou iniciar a aprendizagem. Contudo a esmagadora maioria das pessoas que conheço preferem usar e abusar de passar horas a olhar e mexer no universo web, do que aprender alguma coisa. Como tenho dito ultimamente, nunca tivemos acesso a tanta informação, e nunca a desperdiçamos tanto.
A primeira tarefa de rua foi pegar no carro, e fazer um pequeno passeio para assegurar o seu bom funcionamento. O deposito continua cheio, e já tenho mais quilómetros feitos a pedalar, do que no carro. Após, a volta de bicicleta fez-se de igual forma, no horário habitual, no trajecto de sempre, a observar a longa fila do supermercado, as mesmas pessoas a passear os cães, havendo apenas um ou outro episódio pontual para marcar ligeiras diferenças. No final do pedal, a paragem junto ao rio, à laia de meditação.
Depois de um almoço de ovas cozidas, com couves de Bruxelas e um ovo, rumei novamente ao "estúdio", e desta vez dediquei-me quase aos temas acústicos, não tendo desta vez, nenhuma assistência.
Depois de mais sete mil metros pedalados, dediquei-me às escritas, ao jantar, uns secretos de porco preto, e um vinho Rioja, com o final do filme "Cinema Paraíso", sem duvida dos melhores filmes que vi em toda a minha vida.

Dia 18, quinta-feira, 2 de Abril



Parece que o clima local fez um pacto com as autoridades, que nos obriga a sair de casa a conta gotas. O sol continua a brilhar e existe um sabor primaveril no ar, que me fez aumentar o distância a percorrer para 8 quilómetros, por puro prazer. No trajecto, vou notando mais gente na rua, mais carros, e já vou conhecendo os cães e os seus donos, que saem para passeio à mesma hora que eu. Verifico também que ao contrário dos dias anteriores, a fila do Carrefour aumentou bastante, e anda a passo de caracol, pois em cerca de meia hora, um tipo vestido de azul berrante, andou cerca de dez metros.
Almocei grelhados.
Depois de almoço retornei a estúdio, e dei um pouco de gás ao volume, e foi de tal modo, que a dado momento ao terminar uma canção ouvi aplausos da vizinhança. Os vizinhos do costume estavam a escutar. O projecto de fazer um concerto está a ganhar forma.
Depois fui pedalar mais uma vez, tendo completado neste dia 16 quilómetros no trajecto que a minha bicicleta vai conhecendo de olhos fechados. Vou-me tornando adepto de fazer uma paragem estratégica final do passeio, junto à pequena ponte, por cima do rio Alzette. Ali vou escutando a passarada, vislumbrando os patos no rio, e observando o correr do rio no seu constante burburinho. Antes, o mar era uma terapia, hoje é o rio. Assim tem de ser. Quem não caça com cão...
No serão, fui-me perdendo a ver os resultados de mais um dia de pandemia. Não houve filme, nem o Covid dá tréguas.

Dia 17, quarta-feira, 1 de Abril



Contrariando o dia anterior, o céu voltou a estar totalmente azul, sem um vislumbre de nuvens, quando escuto na TSF que em Portugal está a chover, e até, algumas regiões, estão em alerta amarelo. A saída precária desta vez prolongou-se até aos nove quilómetros, por prazer e por necessidade, pois se está bom tempo, com uns afáveis 7 graus, há que aproveitar a dádiva. No meu circuito, avisto um reflexo dos novos tempos, ao olhar o céu, o céu que em outros tempos mostrava dezenas de rastos brancos em simultâneo dos aviões que cruzavam o espaço aéreo do Luxemburgo, mostrou-me hoje uma coisa rara, o rasto de um avião, vindo de leste para oeste. Decerto um voo especial, militar, médico ou de repatriamento. Outras mudanças que notei no meu passeio, foi o aumento de pessoas e carros na rua, em relação à ausência dos dias anteriores, e também que Carrefour que até a semana passada tinha enormes filas para entrar, estava hoje, sem fila, pelo menos durante os cerca de 30 minutos que por ali passei. No regresso encontro a minha vizinha que é portuguesa, e pergunto-lhe se as minhas sessões de estúdio os incomodam, ao que ela me responde que pelo contrário, e que o marido, no dia anterior, se colou à parece para escutar. Menos mal.
E menos mal também, o acontecido apôs o almoço, quando desci ao "estúdio" a fim de das mais umas guitarradas, desta vez com a guitarra Godin. Andei por ali à volta de umas canções na língua inglesa, e até com uns ligeiro decibéis a mais, e fiz mais uma gravações, embora o som que gravo seja de muito má qualidade. No fim do ensaio, ao abrir a porta do estúdio, deparo-me com os vizinhos que vivem no rés do chão em frente, de porta aberta e sentados, tendo estado ali a escutar toda a minha sessão. Perguntei-lhes se a musica estava muito alta, ao que eles disseram que deveria era tocar mais alto, pelo que ficou prometido um novo ensaio para amanhã com alguns temas de língua francesa. Agora tenho de perguntar ao vizinho italiano se a musica não o incomoda, para poder tocar tranquilamente sem receio de importunar o pessoal.
Depois de jantar, continuando a minha semana de cinema italiano, comecei a ver outra grande obra, “Cinema Paraíso”.

Dia 16, terça-feira, 31 de Março



Uma ligeira diferença no céu deste dia, com algumas nuvens a mancharem o azul mas nada de chuva. O vento continua e o dia promete ir aos 10/11 graus. A rotina mantém-se, com prazer, mas também com o lamento de não poder pedalar num raio de acção um pouco mais alargado, pois um quilometro obriga-me a andar a inventar trajectos dento do trajecto obrigatório. Mantém-se a vontade de não parar, na esperança de que surjam noticias melhores do que as do constante aumento de vitimas.
O restante da manhã passou-se em volta de alguns mails da loja e a preparação de alguns temas para levar para estúdio depois de almoço, que foi um fugaz repasto baseado em tostas mistas.
A ida a estúdio é agora um dos altos momentos do dia, em que me enfio naquele pequeno espaço hermético de quatro paredes e me escuto, na esperança de não incomodar a vizinhança. Para consumo próprio toquei alguns temas, gravando os que senti mais adequados a publicar no Facebook, um deles o solo do 'fifth of firth', dos Genesis, que saiu bem, atendendo ao pouco estudo que fiz, e aos meios técnicos que disponho, mas a aceitação e comentários foi boa, deixando-me satisfeito.
O restante da tarde, passou-se actualizando publicações dos restaurantes, e da loja, tratar dos mails, e pedalar dentro de casa, para depois ir assistir aos noticiários, e preparar um churrasco, ao frio do cair da noite, e um serão que terminou com o visionamento do Carteiro. Um belo filme.

Dia 15, segunda-feira, 30 de Março



O sol voltou e frio acentuou-se. Uma manhã que começa com a volta habitual, com 4 graus, ao pedal. Cumprida a distância do costume, aproveito o resto da manhã para ir ao vidrão, e tentar as compras no Carrefour cuja fila, hoje, está muito menor que o habitual. Tal facto pode dever-se a que as pessoas tanto têm comprado, que para além de terem as arcas, frigoríficos, e prateleiras cheias, gastaram o que não deviam em açambarcamentos estúpidos. Após uns dez minutos de espera, entro. Sou uma das 20 pessoas permitidas dentro do espaço. Na minha frente entraram duas pessoas, nos corredores cruzo-me com outros dois pares. 
A ganância das pessoas, e (ou) a falta de reposição de muitos alimentos, frescos e congelados, notam-se nas prateleiras vazias. Nem quero pensar, se num futuro próximo, venha a haver escassez de alimentos.
Já na fila para pagar, a rapariga à minha frente, com o carro atolado de tudo um pouco, até brinquedos, separa um a um, os artigos no carrinho, como se os estivesse a arrumar em casa, e para ajudar, falava pelos cotovelos com a mulher da caixa, que lhe dava trela. Do que conclui duas coisas com a minha ida ao supermercado. A primeira, que apenas uma pessoa deveria entrar, e que deveria haver um tempo máximo de permanência na loja. Aquela cliente, mostrou um egoísmo extremo, e falta de civismo, com a conivência da operadora de caixa. Do mesmo modo os clientes que vão às compras aos "pares".
Depois do almoço, fui fazer um pequeno ensaio, que acabou por ser também uma sessão de gravações de alguns vídeos para ir colocando no Facebook. Foi uma boa ideia esta de montar o equipamento musical lá em baixo. Em tempos em que o tempo abunda, é bom haver ocupação e motivação, e este novo modelo de ensaio permite o recato e intimidade de um suposto estúdio, claro que com muita imaginação, mas o que conta é viver os momentos, preencher o dia, e tentar ser útil, aos outros, e nós próprios. E fazendo um balanço às minhas tarefas, concluo que neste novo presente de pandemia, tenho como tarefas pessoais, a musica, os filmes, a leitura, a escrita, a fotografia, e o exercício físico, para além de algumas experiências culinárias. Juntando as tarefas de trabalho, nas publicações diárias dos restaurantes, no apoio que dou à loja do meu filho, a nível de publicações, e gestão de conflitos com clientes, e trabalhos esporádicos para o restaurante de Mondorf, e do meu amigo que tem uma empresa de distribuição alimentar aqui no Luxemburgo. Pelo que nem me posso queixar de tédio, é ir agindo consoante as prioridades e as vontades.
O serão cumpriu-se com mais um avanço no Carteiro de Pablo Neruda.