domingo, 5 de abril de 2020

Dia 10, quarta-feira, 25 de Março





















A sucessão de dias iguais não é coisa boa para a mente, por isso temos de imaginar voltas a dar, não pisando o risco das imposições, que voltaram a apertar, e arranjando tarefas que nos dêem trabalho. A novidade das medidas do governo francês, são a alteração ao documento que sempre tem de nos acompanhar, que passa a ter de incluir para além da data, a hora em que saímos de casa, pois a partir de agora apenas nos podemos ausentar de casa por um período de uma hora, e não mais de um quilometro, com apenas uma saída por dia, coisas que se pode tornear, no caso de não sermos controlados.
Acorda o dia de hoje, igual ao de ontem: soalheiro, sem uma nuvem no céu, vento e sete graus. Escuto um avião que vai descendo para o aeroporto de Findel, certamente da CargoLux, um daqueles jumbos de mercadorias, os únicos a circular.
A volta de bicicleta faz sempre bem, nem que ela e eu já conhecemos o caminho de olhos fechados. As pernas agradecem. De volta a casa, constato numa noticia, aquilo que já previra: o drama daqueles que vivem em pequenos quartos alugados, por cima dos restaurantes e cafés, que entretanto fecharam no Luxemburgo. Alguns deles sem trabalho, e alguns deles, porque trabalhavam "ao negro", expressão usada para quem trabalha sem ser declarado. Se com alguma mobilidade, estabilidade financeira, e um ambiente aconchegante em casa, isto já custa, imagine-se a vida destes que refiro.
A manhã complementou-se, com algumas pequenas tarefas para a loja e para o restaurante, e a audição de Moody Blues (Seventh Sojourn) e Pink Floyd (obscured by the clauds, também chamado la Vallée), dois LP's da minha adolescência, que tenho na minha colecção de vinil, no sótão que agora me parece mais longe que nunca.
Depois do almoço dediquei-me à escrita. Não destes textos, mas de um projecto iniciado em Novembro passado, e que tem vindo a progredir devagar, ao sabor das vontades e dos tempos livres, que agora abundam: estou a escrever sobre a minha vida! Desde que nasci, e que vai até ao momento contemporâneo, se não me faltarem a vontade, os meios e a saúde.
Andava a escrever muito espaçadamente, uma vez ou outra por semana, e agora penso que irei dar um avanço. Neste momento estou a começar a descrever a separação dos meus pais. Coisa que aconteceu pelo ano de 1965.
O complemento da tarde ainda incluiu uns toques no tema Smoke on the Water, dos Deep Purple, que publiquei no Facebook, mais o habitual exercício na bicicleta de casa, e um pouco de filme.
Ao jantar, foi de grelhados e um Alabastro, da Bacalhôa, vinho em conta e muito equilibrado.
Iniciei o Padrinho II. Al Pacino no seu melhor, e Robert de Niro num papel de se tirar o chapéu.

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