Mais
um irónico dia de sol, que convida ao passeio, mas não se pode
passear.
Aguardo
a passagem do carteiro, na esperança de que este me traga uma carta
do médico contendo uma receita da minha medicação habitual. O
carteiro passou mas a carta não chegou. Essa carta será um salvo
conduto válido para uma ida ao Luxemburgo, até que seja aviada a
receita. Em todo o caso decido arriscar, pego no carro que precisa de
rodar e sigo para Belval. Os carros são raros. Sinto-me vigiado
pelas inúmeras câmaras instaladas no Grão Ducado. O Luxemburgo é
uma espécie de Big Brother, carregado de câmaras de vigilância,
que neste momento transformam a sensação de segurança, na sensação
de que estou a cometer um ilícito. Ao chegar a Belval, cruzo-me com
um carro da Policia, mas não fui abordado. Penso que as matriculas
francesas, vão suscitar abordagens frequentes.
O
centro comercial está todo fechado, com excepção do supermercado.
O parque subterrâneo está praticamente vazio, e à entrada do
espaço comercial existe um segurança, que manda entrar e sair os
clientes, como se fosse um policia sinaleiro. As linhas amarelas no
chão, dizem-nos onde parar. Já lá dentro, clientes e pessoal cria
a prudente distância do próximo, e vira a cara para o lado.
De
regresso, arrumo as compras, que creio me aprovisionarão para mais
de uma semana, e sigo directo para mais uma etapa ciclística. Desde
o dia um que fiz cerca de 40 quilómetros.
A
tarde foi passada com pouca novidade. Mais uns toques na viola, mais
outro circuito de 5 Km, no mesmo trajecto, a mesma observação dos
locais que a minha vista alcança, e o regresso à sensação de
liberdade privada. Mas dentro das limitações impostas, pelo menos
temos a chance de sair um pouco. Convém que, quem se queixa das
restrições, leia ou releia o
diário de Anne Frank, para dar valor ao que ainda lhe é permitido,
em termos de liberdade.
No
final da tarde recebo uma espécie de inquérito do amigo Raminhos,
gestor da página on-line "Jornal do Luxemburgo", com
algumas questões, para publicação no Facebook. Decido responder, e
foi isto:
Está
fechado em casa? há quantos dias? onde? (localidade)
Jorge
Trindade – Não estou fechado a tempo inteiro, mas as saídas são
as estritas mediante as necessidades dentro do que é
autorizado.Estou nesta situação desde o dia 16, e moro em
Audun-le-Tiche.
O
que faz para ocupar o tempo? dá para trabalhar através de casa a
meio gás?
Jorge
Trindade – Ocupo o tempo, fazendo alguns trabalhos online, na área
do webdesign, é o trabalho a pouco gás. Ocupo também a rever
algumas musicas do repertório, ou simplesmente a tocar de improviso,
bem como ouvir aqueles discos que não ouvia há anos. Faço 10
quilómetros de bicicleta por dia, em casa ou na rua, conforme o
clima. E também mantenho hábito da leitura.
É
considerada uma das pessoas de risco? ou é ou suporte da família e
desloca-se à rua para ir buscar os bens necessários?
Jorge
Trindade – Não estou nos grupos de risco, e raramente me desloco
para abastecer-me de bens.
Quer
deixar uma mensagem à Comunidade e de todos os que permanecem em
casa?
Jorge
Trindade – Ninguém sabe quando nem como isto vai acabar. Para além
de nos esforçarmos por nos manter de saúde, devemos reflectir
seriamente nas prioridades e objectivos pessoais, bem como da nossa
postura no futuro, tanto no campo familiar, como social. Este é um
bom momento para escolhas, e avaliações, sem nos esquecermos que a
reciprocidade é inevitável.
O
serão começou com mais um pouco do filme O Padrinho I, e a
tentativa de resolver on line um assunto ao meu patrão.
Começo a ler um livro que trouxe de Portugal, no dia 4. Ultimamente parte da minha mala vem provida de livros. O livro é de um autor com o qual pouco simpatizo, mas mesmo assim vou arriscar na sua leitura. Chama-se "O Aleph", do escritor Paulo Coelho.
Começo a ler um livro que trouxe de Portugal, no dia 4. Ultimamente parte da minha mala vem provida de livros. O livro é de um autor com o qual pouco simpatizo, mas mesmo assim vou arriscar na sua leitura. Chama-se "O Aleph", do escritor Paulo Coelho.

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