O
sol voltou e frio acentuou-se. Uma manhã que começa com a volta
habitual, com 4 graus, ao pedal. Cumprida a distância do costume,
aproveito o resto da manhã para ir ao vidrão, e tentar as compras
no Carrefour cuja fila, hoje, está muito menor que o habitual. Tal
facto pode dever-se a que as pessoas tanto têm comprado, que para
além de terem as arcas, frigoríficos, e prateleiras cheias,
gastaram o que não deviam em açambarcamentos estúpidos. Após uns
dez minutos de espera, entro. Sou uma das 20 pessoas permitidas
dentro do espaço. Na minha frente entraram duas pessoas, nos
corredores cruzo-me com outros dois pares.
A
ganância das pessoas, e (ou) a falta de reposição de muitos
alimentos, frescos e congelados, notam-se nas prateleiras vazias. Nem
quero pensar, se num futuro próximo, venha a haver escassez de
alimentos.
Já
na fila para pagar, a rapariga à minha frente, com o carro atolado
de tudo um pouco, até brinquedos, separa um a um, os artigos no
carrinho, como se os estivesse a arrumar em casa, e para ajudar,
falava pelos cotovelos com a mulher da caixa, que lhe dava trela. Do
que conclui duas coisas com a minha ida ao supermercado. A primeira,
que apenas uma pessoa deveria entrar, e que deveria haver um tempo
máximo de permanência na loja. Aquela cliente, mostrou um egoísmo extremo, e falta de civismo, com a conivência da operadora de caixa. Do mesmo modo os clientes que vão às compras aos "pares".
Depois
do almoço, fui fazer um pequeno ensaio, que acabou por ser também
uma sessão de gravações de alguns vídeos para ir colocando no
Facebook. Foi uma boa ideia esta de montar o equipamento musical lá
em baixo. Em tempos em que o tempo abunda, é bom haver ocupação e
motivação, e este novo modelo de ensaio permite o recato e
intimidade de um suposto estúdio, claro que com muita imaginação,
mas o que conta é viver os momentos, preencher o dia, e tentar ser
útil, aos outros, e nós próprios. E fazendo um balanço às minhas
tarefas, concluo que neste novo presente de pandemia, tenho como
tarefas pessoais, a musica, os filmes, a leitura, a escrita, a
fotografia, e o exercício físico, para além de algumas
experiências culinárias. Juntando as tarefas de trabalho, nas
publicações diárias dos restaurantes, no apoio que dou à loja do
meu filho, a nível de publicações, e gestão de conflitos com
clientes, e trabalhos esporádicos para o restaurante de Mondorf, e
do meu amigo que tem uma empresa de distribuição alimentar aqui no
Luxemburgo. Pelo que nem me posso queixar de tédio, é ir agindo
consoante as prioridades e as vontades.
O
serão cumpriu-se com mais um avanço no Carteiro de Pablo Neruda.
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