domingo, 5 de abril de 2020

Dia 15, segunda-feira, 30 de Março



O sol voltou e frio acentuou-se. Uma manhã que começa com a volta habitual, com 4 graus, ao pedal. Cumprida a distância do costume, aproveito o resto da manhã para ir ao vidrão, e tentar as compras no Carrefour cuja fila, hoje, está muito menor que o habitual. Tal facto pode dever-se a que as pessoas tanto têm comprado, que para além de terem as arcas, frigoríficos, e prateleiras cheias, gastaram o que não deviam em açambarcamentos estúpidos. Após uns dez minutos de espera, entro. Sou uma das 20 pessoas permitidas dentro do espaço. Na minha frente entraram duas pessoas, nos corredores cruzo-me com outros dois pares. 
A ganância das pessoas, e (ou) a falta de reposição de muitos alimentos, frescos e congelados, notam-se nas prateleiras vazias. Nem quero pensar, se num futuro próximo, venha a haver escassez de alimentos.
Já na fila para pagar, a rapariga à minha frente, com o carro atolado de tudo um pouco, até brinquedos, separa um a um, os artigos no carrinho, como se os estivesse a arrumar em casa, e para ajudar, falava pelos cotovelos com a mulher da caixa, que lhe dava trela. Do que conclui duas coisas com a minha ida ao supermercado. A primeira, que apenas uma pessoa deveria entrar, e que deveria haver um tempo máximo de permanência na loja. Aquela cliente, mostrou um egoísmo extremo, e falta de civismo, com a conivência da operadora de caixa. Do mesmo modo os clientes que vão às compras aos "pares".
Depois do almoço, fui fazer um pequeno ensaio, que acabou por ser também uma sessão de gravações de alguns vídeos para ir colocando no Facebook. Foi uma boa ideia esta de montar o equipamento musical lá em baixo. Em tempos em que o tempo abunda, é bom haver ocupação e motivação, e este novo modelo de ensaio permite o recato e intimidade de um suposto estúdio, claro que com muita imaginação, mas o que conta é viver os momentos, preencher o dia, e tentar ser útil, aos outros, e nós próprios. E fazendo um balanço às minhas tarefas, concluo que neste novo presente de pandemia, tenho como tarefas pessoais, a musica, os filmes, a leitura, a escrita, a fotografia, e o exercício físico, para além de algumas experiências culinárias. Juntando as tarefas de trabalho, nas publicações diárias dos restaurantes, no apoio que dou à loja do meu filho, a nível de publicações, e gestão de conflitos com clientes, e trabalhos esporádicos para o restaurante de Mondorf, e do meu amigo que tem uma empresa de distribuição alimentar aqui no Luxemburgo. Pelo que nem me posso queixar de tédio, é ir agindo consoante as prioridades e as vontades.
O serão cumpriu-se com mais um avanço no Carteiro de Pablo Neruda.









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