domingo, 5 de abril de 2020

Dia 18, quinta-feira, 2 de Abril



Parece que o clima local fez um pacto com as autoridades, que nos obriga a sair de casa a conta gotas. O sol continua a brilhar e existe um sabor primaveril no ar, que me fez aumentar o distância a percorrer para 8 quilómetros, por puro prazer. No trajecto, vou notando mais gente na rua, mais carros, e já vou conhecendo os cães e os seus donos, que saem para passeio à mesma hora que eu. Verifico também que ao contrário dos dias anteriores, a fila do Carrefour aumentou bastante, e anda a passo de caracol, pois em cerca de meia hora, um tipo vestido de azul berrante, andou cerca de dez metros.
Almocei grelhados.
Depois de almoço retornei a estúdio, e dei um pouco de gás ao volume, e foi de tal modo, que a dado momento ao terminar uma canção ouvi aplausos da vizinhança. Os vizinhos do costume estavam a escutar. O projecto de fazer um concerto está a ganhar forma.
Depois fui pedalar mais uma vez, tendo completado neste dia 16 quilómetros no trajecto que a minha bicicleta vai conhecendo de olhos fechados. Vou-me tornando adepto de fazer uma paragem estratégica final do passeio, junto à pequena ponte, por cima do rio Alzette. Ali vou escutando a passarada, vislumbrando os patos no rio, e observando o correr do rio no seu constante burburinho. Antes, o mar era uma terapia, hoje é o rio. Assim tem de ser. Quem não caça com cão...
No serão, fui-me perdendo a ver os resultados de mais um dia de pandemia. Não houve filme, nem o Covid dá tréguas.

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