Fazendo
jus ao primeiro dia de Primavera, o dia amanheceu de sol, com uns
amenos 10 graus, contrastando com a chuva no meu Portugal. Parece que
existe um magnetismo. Polos opostos. Quando num lado faz sol, no
outro chove.
Ouvidas
as primeiras noticias para tentar perceber um pouco a disciplina
imposta à Pátria Lusa, arregaço as mangas para cuidar dos
canteiros da varanda, onde o sol apenas chega ao cair do dia, e por
isso a sensação de frio logo me chega e perante o pânico de me
engripar, protejo a garganta. Gripe neste momento para além de tudo,
suscita a quem se cruza connosco, um vade retro satanás.
Coloco
o cd do Michel Sardou e começo a faxina, que uma hora depois tive de
interromper, para recomeçar durante a semana que vem. Não há
pressas. Tempo é o que não falta agora.
Iniciando
um programa que estabeleci, de tarefas obrigatórias, muni-me da
autorização-justificação de saída de casa, da Identificação, e
percorri cinco quilómetros sem sair aqui do bairro, tal como manda a
lei.
Quando
pedalo, costumo reflectir, quase como se a musica de fundo fosse a
voz dos meus pensamentos. E assusta-me pensar que nos próximos
tempos de duração indefinida, tudo irá parando aos poucos, na
qualidade de vida a que vínhamos sendo acostumados. Chegará o
momento em que coisas simples, por nos faltarem, vão começando a
incomodar, e inquinar a nossas sanidade e a nossa tranquilidade. Não
vai ser sò a mobilidade condicionada, vão ser um conjunto de
situações, como por exemplo não receber a carta que esperamos pois
os correios fecharam (acaba de ser publicado o fecho da Post em toda
a França), não poder cortar o cabelo, não conseguir aquela peça
que faz falta para que o aparelho volte a funcionar. Neste ultimo
exemplo, pode até haver uma subida substancial nas compras on line,
esmagando ainda mais certas áreas do comércio tradicional. Foi esta
uma das minhas reflexões nos primeiros cinco, dos dez quilómetros
feitos hoje. O corpo está tratado. A alma também. A barriga também
vai ser tratada. A seu tempo.
o
fim de tarde passou-se a rever o filme "Padrinho I", o
primeiro da saga de três grandes obras, que agora revejo dando
particular atenção à banda sonora, cujos temas me são hoje mais
familiares desde que convivo com alguns clientes italianos.
Ao
final da noite o António Costa voltou a falar ao pais. E creio que
dentro do que é possível fazer, o ex-geringonço está a agir
correctamente, mas ainda é cedo para avaliações.

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