A
clássica conclusão de que só damos valor às coisas quando as
perdemos, nunca fez tanto sentido como neste momento. Durante os
últimos anos salvo raríssimas excepções, a minha rotina dos dias
de fim de semana, para a maioria das pessoas, era a de ir tocar à
sexta-feira à noite, no sábado, pela manhã, ir levar o material da
musica ao restaurante, regressar a casa, com paragem no supermercado,
na maior parte das vezes, almoçar, descansar, para depois enfrentar
as famosas noites de sábado à noite, por vezes com mais de duzentas
pessoas, suportando o barulho dos clientes, dos talheres, os gritos
do empregados, os gritos da cozinha, e muitas vezes com um encontrão
no microfone. Depois havia o domingo. Tocar ao domingo, por vezes já era um pouco no limite da garganta, dado o cansaço evidente. Sem
peneiras, digo que poucos aguentam fins de semana assim, mesmo que
bem mais novos que eu.
E
de repente tudo isso acabou.
Hoje
é domingo, e aqui estou, como estive ontem, como estive antes de
ontem... Todo aquele bulício,
todas as dificuldades físicas que ia superando, terminaram
abruptamente, sem apelo nem agravo. Que estranha a sensação de
acordar no domingo, sem a ressaca das actuações, e com mais um dia
pela frente, igual aos anteriores.
O
doido clima local apresentou, sol, vento e 7 graus. Oiço as noticias
da praxe, preparo a documentação necessária à saída precária, e
inicio um percurso de bicicleta que não chegou aos 4 quilómetros,
mas serviu para exercitar as pernas, principalmente contra o vento, e
apanhar ar, que segundo dizem, não contamina.
Foi
o resto da manhã ocupado em dar uma volta à pasta dos documentos
que se têm de guardar, uma tarefa que de certo modo é o espelho
administrativo dos últimos anos: as facturas de artigos que fui
adquirindo, onde constato que comprei a minha bicicleta em 6.04.2016,
os recibos de vencimento, o meu contrato de trabalho, as análises
clínicas, e também aqueles papéis que perderam validade de
interesse, que vão directamente para o lixo.
Acompanhei
alguns momentos deste domingo com as obras de Chopin. Afinal, faz
todo o sentido, dado que o nome da minha rua é, Frédéric Chopin.
A
tarde foi preenchida com uma bela sesta, coisa que já não fazia
desde os tempos de "liberdade".
No
final do dia mais um avanço no Padrinho I, e conclusão do Guarani.
Gostei, atendendo à época em que foi escrito.

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