Espero
que a sucessão de dias aparentemente iguais não venha a confirmar
as palavras do Sérgio Godinho, "hoje é o primeiro dia do resto
da tua vida". Com efeito estou na segunda sexta-feira em que não
carrego o equipamento da musica, para ir tocar a Mondorf, e até
porque o restaurante fechou em definitivo, não por causa do vírus,
mas por já estar programado. Se eles irão abrir outro espaço, e
quando o farão, desconheço. E se o fizerem, saber se existe espaço para mim,
são tudo pontos de interrogação a juntar aos outros, enormes
pontos de interrogação sobre o futuro. Por enquanto, limito-me a
viver o dia a dia, e tomar as precauções para não ser contagiado.
O
dia nasceu igual, com o sol, a temperatura baixa, mas suportável, e
algum vento. Inicio a rotina, mas com a introdução de uma diferença
que muito prazer me deu. Aproveitando o tempo dedicado à bicicleta
matinal, fiz uma paragem perto de onde aqui perto corre o rio Alzette e fiz
umas quantas fotos, as primeiras desde que tudo isto começou. Findo
o passeio, dediquei-me ao prazer de editar as fotos, que é uma
tarefa que me dá tanto gozo como o acto de fotografar. Editar as
fotos passa por as endireitar, se necessário, e evidenciar aquilo
que na foto me parece ser mais relevante, e por vezes obtenho
resultados excelente, quando de inicio foto virgem não tinha nada de
promissor. Trata-se de melhorar a foto e não de a alterar ou
modificar. Mas não deixa de ser manipulação.
Recebo
um telefonema do meu melhor amigo. Talvez o único que tenho digno
desse estatuto. Sabe bem saber que se importam connosco. Sabe bem que
nos perguntem como estamos, tal como sabe bem, saber os outros bem.
São laços e afectos que nestes tempos conturbados e atendendo à
distância que nos separa, ganham uma dimensão superior.
Existe
uma frase assim:
“A
verdadeira afeição, à longa distância se prova”
Em
tempos, creio que desde o outono passado, decidi começar a escrever
tudo o que me recordo da minha vida. Era principalmente aos sábados
de manhã, que dedicava algumas palavras a essa auto biografia. De
tão pouco que escrevia, tinham chegado os dias presentes, e as
memorias ainda iam nos meus cinco anos de idade. Com o tempo que vou
tendo agora, estou a dar um avanço maior a esses escritos. Veremos
se o tempo de reclusão vai ser de tal forma prolongado, que me vai
permitir acaba-los.
O
resto do dia andou em volta do filme Padrinho II, que acabei de ver,
e uma feijoada de marisco, aproveitando a feijoada de choco da noite
anterior. Que nos tempos que correm temos de fazer render a
comidinha.
Fui-me
deitar com noticias tristes: o aumento de casos na Alemanha. Mais um
recorde de mortes na Itália. Na França morre uma pessoa de 4 em 4
minutos. Torna-se difícil levantar o ânimo. Cada vez se torna mais
presente a determinação de que o importante agora, é sobreviver.
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